No dia Internacional da Mulher, todas merecem a nossa homenagem, mas em especial aquelas que precisam conviver com doenças graves e sem cura e ainda serem mães, filhas, esposas, chefes e até presidente de associação. E não são poucas as mulheres que mostram muita força para enfrentar essas dificuldades da vida sem esquecer o sorriso no rosto.
A paranaense e arquiteta Érica Nishimura, de 42 anos, é uma delas. Casada e mãe de uma filha de 15 anos, Érica é portadora de Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) e não deixa mais o problema de saúde afetar seu dia-a-dia. No escritório, a jornada de trabalho dura mais de 10 horas. Ao chegar em casa, a arquiteta ainda tem pique para curtir a família e preparar a última refeição. E para quem pensa que para por aí, Érica criou mais uma atividade para conciliar à rotina: fundou a Associação Paranaense de Portadores de Hipertensão Pulmonar (APPHP), da qual é presidente, onde mostra garra para lutar pelos ideais nas poucas horas vagas. “Estou com muita disposição para tocar os projetos da associação, só preciso coordenar com meu tempo”, diz.
Já a engenheira civil Solange Vieira Schwade, 51 anos, também é portadora de HAP e trabalha fora o dia todo. Assim como Érica, Solange não dá espaço para a doença. “Tem dias que me divido em três. Trabalho por 10 horas, visitando obras, me dedico à Associação Gaúcha de Hipertensão Arterial Pulmonar (AGHAP), com a parte financeira e de reuniões. No lar, ajudo nas tarefas domésticas. Fora que também sou voluntária para cuidar de qualquer obra que tiver no centro espírita que frequento”, contou Solange.
O dilema de criar os filhos e lutar contra uma doença, que já a deixou à beira da morte, aconteceu com Maria do Socorro Leite, de 38 anos. Portadora de HAP desde 2001, Socorro apresentou sua primeira crise de falta de ar quando a sua filha caçula, Kamylla, tinha apenas seis anos e Ítalo, o primogênito, 10. Todavia, a enfermidade não anulou a função de matriarca. “Ficamos ainda mais unidos e pude acompanhar o crescimento deles. Levava-os na escola”, relatou.
Agora, Socorro pode ser vista atuando na presidência da Associação Campinense de Hipertensão Pulmonar (ACHP), esbanjando condicionamento físico. “Tem dias que não paro, trabalhando pela associação. Meu marido até reclama que não estou parando em casa”, ressaltou.
Lutar por pacientes em nível nacional também não é tarefa impossível para Maria do Rosário Costa Mauger e Ester Joana Strautmann, de 51 e 47 anos, respectivamente, e portadoras de Esclerose Sistêmica – uma doença reumatológica autoimune, caracterizada pelo endurecimento da pele e órgãos. Ambas são presidente e vice, respectivamente, da Associação Brasileira de Pacientes de Esclerose Sistêmica (Abrapes) e donas de casa com muito pique. No caso de Rosário, que é portadora também de HAP, além de ajudar o marido nas tarefas diárias do lar, a paciente dedica-se a auxiliar os demais portadores. “Às vezes, viajo para resolver questões como acesso à medicação de outras pessoas. Também costumo ir a eventos sobre doenças raras por todo o país”, diz Rosário, que ainda está envolvida com a Associação Nacional de Grupos de Pacientes Reumáticos (Anapar), na qual exerce o cargo de suplente da presidência.
Já Ester teve que dispensar a empregada quando foi aposentada por invalidez, porém, decidiu reagir e, atualmente, retribui a atenção dada pelo companheiro Eli Strautmann, que tem problemas de artrose nas pernas e ombros. “Meu marido me ajudou muito no passado e merece todo meu carinho. Tudo que ele não pode fazer sozinho, como agachar e trocar de roupa, enquanto está debilitado, pode contar comigo”, garantiu a vice-líder da associação, que ainda tem como responsabilidade prestar assistência emocional aos demais pacientes e gerenciar o conteúdo do site da Abrapes (www.abrapes.org.br).
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